Salvador: Qual rumo está tomando a primeira capital do Brasil?

Temos tentado ao máximo cumprir as medidas de isolamento, ao mesmo tempo em que diariamente recebemos mais de 200 mensagens com pedidos de ajuda e fazemos de tudo pra conseguir auxiliar de alguma forma as famílias que nos acompanham e nos têm como a única luz no fim do túnel.

Está difícil, mas essa é a missão diária de todos que se propõem a ser um agente de transformação social.

São pessoas precisando de alimentos, sem conseguir gerar renda, com casas inundadas, sem o devido saneamento básico, as vezes com filhos ou parentes portadores de necessidades especiais, e com riscos de deslizamentos de terra à qualquer momento. Ficamos entre a cruz e a espada.

Na maioria das vezes, ao ir pessoalmente conhecer a situação, nos deparamos com mães solo, ou que são as chefes da família. Porém, que estão sem suas válvulas de escape nesse momento, que são as creches e escolas municipais, onde as crianças deveriam estar em tempo integral.

Infelizmente, é a realidade nua e crua da nossa cidade. Nada muito diferente do que já era antes… 2, 4 ou 8 anos atrás… mas agora com o cenário agravado com a pandemia do Covid-19.

Aliás… temos mudanças sim. Não vamos falar das nossas orlas? Estão lindas, totalmente requalificadas. O trecho de Stella Maris inclusive já iniciando e com mais investimentos milionários.

Enquanto isso, famílias vão se virando nos R$ 270, aguardando a oportunidade de botar sua guia na inauguração. Retrato simplório de uma capital com crescentes índices de desigualdade social.

AGORA, a gente até vê o poder público se esforçando pra contornar tudo isso, e evitar uma convulsão social, com o nosso sistema de saúde inclusive tendo a possibilidade de entrar em colapso. Chegou na melhor ora esse trabalho em conjunto entre o governador Rui Costa (PT) e o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM). Dois grandes gestores públicos, cada um com suas ideologias e prioridades, mas juntos nesse momento que requer total abnegação e altruísmo. Oremos.

O problema é que além dessa, existem outras inúmeras crises na cidade que não deveríamos ter aprendido a conviver… e que também precisam de soluções urgentes.

desemprego aumenta, ao mesmo tempo em que não se pode sair para empreender. Os casos de dengue, zika e chykungunia, também como exemplo, estão disparando dentro das comunidades. Nada será feito? O foco é na pandemia, mas as outras demandas continuam a aparecer no dia a dia, principalmente de quem vive na periferia.

Não dá pra fazer obras essenciais, como as de contenção da Rua Angélica (Nova Brasília de Itapuã), Rua Vale do Tubo (Bairro da Paz), Rua Lidio dos Santos (Fonte do Capim), mas assistimos assustados o início da construção de uma estação elevatória para tratamento de esgoto nas proximidades da Lagoa do Abaeté, área de proteção ambiental.

Enfim…Viva às pessoas comuns, nossos amigos, parentes, vizinhos, que estão nesse momento se solidarizando e criando redes de apoio a quem realmente precisa de ajuda. Espero que esse sentimento de empatia e solidariedade continuem contagiando cada vez mais pessoas na nossa cidade… E também conscientizando sobre o nosso exercício de cidadania, que deve ser diário, mas sobretudo no momento em que estamos nos aproximando… Que são as eleições.

É claro que precisamos falar sobre isso!

Quem não quer que esse assunto seja discutido por nós são justamente aqueles que nos abandonam durante 4 anos e agora estão sem ter como chegar na comunidade bancando o baba, a cerveja e o churrasco.

O momento é de mudança!

Mais da metade da cidade vive na periferia, e são nesses locais que a população precisa chegar ainda na madrugada na fila do posto, pra tentar marcar uma consulta. São as pessoas que vivem nesses locais que financiam um transporte público precário e com a tarifa mais cara do Nordeste. São essas mães que falei, que não conseguem vaga nas creches e precisam se virar com um auxílio de R$ 50. Onde matricular por esse valor?

Pois é. Precisamos refletir.

Pois para alguns, pode até estar bom…mas para essa parcela majoritária, tenho certeza que já não dá pra continuar assim.

Somos frutos das nossas escolhas.

Eric Pereira

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